MAAT inaugura cinco novas exposições

O Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia inaugura cinco novas exposições: a exposição dos finalistas do Prémio Novos Artistas, uma instalação do francês Xavier Veilhan na cobertura do MAAT, e individuais de Jesper Just na Galeria Oval, Carla Filipe na Project Room e Pedro Tudela na emblemática Sala das Caldeiras.

Isabel Madureira Andrade, AnaMary Bilbao, Dealmeida Esilva, Mónica de Miranda, Henrique Pavão e Diana Policarpo são os seis finalistas que integram a exposição coletiva da 13ª edição do Prémio Novos Artistas. Selecionados por Inês Grosso, Sara Antónia Matos e João Silvério, curadores da exposição, os artistas apresentam obras produzidas especificamente para este projeto expositivo. O vencedor será escolhido por um júri internacional no decorrer da exposição.

Esta 13.ª edição reforça a contínua vontade de apoiar e dar visibilidade a novos valores da arte contemporânea nacional. A oportunidade de expor num contexto institucional e de trabalhar de forma profissional e orientada por um curador tem-se revelado fundamental para o início ou reforço de notáveis carreiras nacionais e internacionais. Instituído em 2000, o Prémio tem distinguido artistas como Joana Vasconcelos, Leonor Antunes, Vasco Araújo, Carlos Bunga, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, João Leonardo, André Romão, Gabriel Abrantes, Priscila Fernandes, Ana Santos, Mariana Silva e Claire de Santa Coloma.

Usando a arquitetura expositiva como um medium que dialoga com projeções de vídeo, o artista dinamarquês Jesper Just transforma a Galeria Oval num par de espaços emocionais habitados por personagens fugazes que refletem a condição humana na era presente. Através do som, de estruturas construídas e da desconstrução de imagens em movimento, o artista altera a perceção e a fisicalidade dos espaços de exposição, obstruindo o fluxo habitual dos visitantes do Museu.

Esta abordagem performativa obriga o visitante a ajustar-se a condições inesperadas, testando a de autoconsciência e os limites do corpo. Numa colaboração inicial com o Kunsthal Charlottenborg de Copenhaga, e com curadoria de Pedro Gadanho e Irene Campolmi, Servitudes – Circuits (Interpassivities) combina e reencena duas peças inter-relacionadas da produção recente do artista: Servitudes, uma vídeo instalação de oito canais apresentada em 2015 no Palais Tokyo, e Circuits (Interpassivities), uma peça multimédia aqui apresentada pela primeira vez num contexto de museu, depois da sua apresentação inicial na galeria do artista na Dinamarca.

Na cobertura do MAAT, o artista francês Xavier Veilhan apresenta a instalação escultórica Romy and the dogs. Esta é a primeira vez que o exterior do museu é usado como espaço de exposição. Apresentando novas estátuas em alumínio fundido, Veilhan propõe uma figura feminina e uma matilha de cães como os novos habitantes da cobertura do MAAT. Jogando com noções de escala, reconhecimento e estranheza, as figuras evocam também o modo como os artefactos produzidos digitalmente têm vindo a substituir os objetos artísticos tradicionais. Esta instalação tem curadoria de Pedro Gadanho e Rita Marques e pode ser vista durante 24h, com circulação gratuita.

A Project Room e a Sala das Caldeiras são ocupadas, respetivamente, pelos portugueses Carla Filipe e Pedro Tudela, com projetos individuais desenhados especialmente para estes dois espaços do museu.

Com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, Pedro Tudela apresenta, na Sala das Caldeiras da Central Tejo, awdiˈtɔrju: transcrição fonética da palavra auditório. Logo nesta passagem de uma convenção linguística apesar de tudo pouco conhecida da população em geral, cria-se um momento de estranheza inicial que aponta para o deslizar percetivo que a sua obra reclama do espetador. Todo o espaço da Sala das Caldeiras transforma-se no palco de uma experiência imersiva que conjuga uma peça de som, acompanhada de três momentos, em que uma escultura e duas instalações habitam o espaço. Uma coreografia desenhada a partir de elementos como o sino (fabricado especificamente para este contexto), sete campânulas e um corredor de luz protegido por telhas transparentes.

Pedro Tudela trabalha a Sala das Caldeiras desconstruindo a sua condição de catedral da modernidade. Como elementos desestabilizadores dessa modernidade nas artes visuais, a luz e o som funcionam aqui como material de desmaterialização do objeto artístico, criando uma experiência única que parte da utilização dos sinos e das campânulas como alegoria que nos alerta para as condições em que atualmente habitamos e abusamos o meio ambiente.

Amanhã não há arte de Carla Filipe, com curadoria de João Mourão e Luís Silva, inaugura a programação de 2019 da Project Room, uma sala dedicada à apresentação de artistas portugueses e pela qual já passaram alguns dos nomes de referência da produção artística nacional como João Louro, Ângela Ferreira, Miguel Palma e Grada Kilomba.

Esta exposição dá continuidade à pesquisa de Carla Filipe em torno das estratégias visuais e gráficas utilizadas pelo discurso político, em particular o cartaz reivindicativo. O projeto apresenta um conjunto de símbolos e grafismos oriundos do discurso político pós-25 de abril de 1974, mas retirando-lhe toda e qualquer plasticidade manual. A bandeira é a forma escolhida para dar corpo às composições complexas, de grandes dimensões, onde repetições e variações dos elementos iniciais, recolhidos dos materiais gráficos das reivindicações políticas da história recente do país, subjugam e contradizem a sua própria origem e identidade. Carla Filipe recorre a estas imagens superficialmente despolitizadas, ou às quais foi removida qualquer agência política, para se interrogar sobre o estatuto que o artista ocupa na configuração sociopolítica atual. Desprovida de capacidade reivindicativa individual e sem a força de um corpo coletivo que a apoie, a artista ameaça Amanhã não há arte, como uma tentativa de mobilização face aos desafios que a comunidade artística enfrenta.

O MAAT na ARCOLisboa

A Fundação EDP é novamente mecenas da Feira Internacional de Arte Contemporânea ARCOlisboa. Nesta  edição, desafiou o artista Tiago Alexandre a apresentar um solo project no espaço da feira, criando uma ação irreverente naquela que é, habitualmente, uma presença institucional. A presença física da Fundação EDP/ MAAT na ARCOlisboa, com este projeto artístico imprevisível, é também reflexo do espírito da fundação no impulso aos novos artistas do panorama da arte contemporânea, em Portugal.

Para este solo project encomendado pelo MAAT, Tiago Alexandre concebeu Keep your elbow in the cup - uma instalação inédita composta por diversos elementos e que se desdobra pelo espaço em várias ações performativas que contam com a participação especial de três performers que, pontualmente, irão circular pelo espaço da feira, interagindo com os visitantes. Apropriando-se do imaginário e estética dos pilotos de motos de competição, o artista cria uma caricatura irónica e humorística do mundo da arte contemporânea e dos seus agentes. Quem subirá ao pódio criado pelo artista e, o mais importante, quem sairá vitorioso desta competição?

15 Maio 2019