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Exposições

Almada Negreiros: O que nunca ninguém soube que houve (desenho, pintura, livros de artista)

Almada Negreiros

12 dezembro 2014 a 29 março 2015

Lisboa

Museu da Eletricidade

 
Exposição composta por material inédito do artista e escritor - desenho, texto, livros de artista.

Desenho, pintura, livros de artista. Almada Negreiros: O que Nunca Ninguém Soube que Houve é uma exposição que revela cerca de 70 obras de um dos mais importantes artistas portugueses do século XX. Na sua maioria são inéditos, nunca apresentados em exposição, provenientes do espólio da família, de coleções privadas e de instituições públicas. Obras agora expostas pela primeira vez no Museu da Eletricidade, de 12 de dezembro a 29 de março de 2015, ano em que se assinala o centenário da revista Orpheu na qual Almada teve uma participação fundamental.

Companheiro e cúmplice de Fernando Pessoa e Amadeo de Souza Cardoso no desencadear da Modernidade artística e literária, na década de 1910, figura polémica, mítica e (auto-) mitificada, mostram-se aqui as experiências artísticas e especulativas de Almada em torno do desenho, da poesia e do número: livros de artista, ensaios caligráficos e de paginação, tipografia, manuscritos, desenhos de ilustração e pinturas, dando uma atenção especial à revelação de um vasto conjunto de inéditos, artísticos e bibliográficos.

É disso exemplo um livro de artista criado entre 1921 e 1922 por Almada Negreiros: O Pierrot que Nunca Ninguém Soube que Houve. História Trágica e Ilustrada com Sol e Palmeiras.

Este livro, emblemático e até aqui desconhecido, inspirou o título desta exposição, apontando o seu rumo.

 

 

"(...) É para a Fundação EDP uma alegria ( Almada gostava muito desta palavra: 'A alegria é, para os vivos, a coisa mais séria da vida') apresentar, neste espaço configurado pela memória altiva do futurismo, a exposição 'Almada: O que nunca ninguém soube que houve (desenho, pintura, livros de artista)'. Agradecemos muito às netas Rita e Catarina Almada, à comissária Sara Afonso Ferreira, ao editor Manuel Rosa, às instituições e coleccionadores que nos emprestaram obras, a possibilidade desta exposição e o prazer ( 'A Arte não é apenas conhecimento, é prazer do conhecimento. Não tenham medo da palavra prazer…') que nos dá fazê-la. A felicidade visual que esta exposição concede está escrita na primeira linha do nosso convite ao público a que se destina.

Para prepararmos a exposição, eu e o João Pinharanda fomos ao atelier do Alto de Santa Catarina, onde está o espólio-arquivo-tesouro-ouro de Almada Negreiros. As manhãs que ali passámos, entre desenhos e palavras, foram encontros, reencontros, descobertas, surpresas, espantos. Éramos, naquele banho lustral, os Arquimedes a gritar 'Eureka!'.

Esta exposição tem a assinatura de Almada, a sua simetria desigual, a sua linha em subida. Os 'livros de artista que aqui se mostram vão desde o jornal manuscrito 'Parva ( em latim)', de 1920, até aos múltiplos, intermináveis ensaios de especulação geométrica, que atravessaram a sua vida inteira.
Aqui estão eles: livros de artista' avant la lettre, como se Almada tivesse o dom de fazer tudo pela primeira vez: 'Começar' . É, pois, a começar que acabo, sabendo que, com Almada, o fim é sempre um princípio que não se despede de nós."

José Manuel dos Santos
Director Cultural da Fundação EDP

 

 

Legenda da fotografia:

Retrato de estúdio de Almada Negreiros
Vitoriano Braga, século XX
Vidro / Gelatina sal de prata
© Direção-Geral do Património Cultural / Arquivo de Documentação Fotográfica: Luísa Oliveira (2006)